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A CHAVE ESSENCIAL - para resolver os problemas da existência
de Aïvanhov, Omraam Mikhaël ISBN: 978-989-8691-42-2
Idioma: Português
1ª edição (2016)
Formato: 145 x 210
N. Pág.: 242
Encadernação: Cartonada Disponibilidade: em stock Preço: 19,00 €
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Sinopse: «Todo o ser humano que vem incarnar-se na Terra traz nele os germes dos dois mundos, inferior e superior. Por isso, podemos dizer que ele é, ao mesmo tempo, uma divindade e um animal. Sim, é o encontro destas duas naturezas, a divina e a animal, que faz dele um homem. Ele não pode separar-se nem de uma, nem de outra, mas deve trabalhar com elas para as ajustar entre si. No dia em que tiverdes uma visão clara desta questão, possuireis a chave que permite resolver todos os problemas da existência. Para obterdes essa clareza, começai por estudar-vos, a fim de saberdes, em qualquer momento do dia, se é a vossa natureza superior ou a vossa natureza inferior que está a manifestar-se. Nada deve passar atrás de vós sem procurardes identificar o que é. Se depois conseguis seguir pelo bom caminho, adotar o melhor comportamento, é outra questão, pois ninguém se transforma assim tão depressa. O essencial é discernir, antes de agir, qual das duas naturezas vos inspira e, em seguida, verificar que não vos deixastes enganar. Primeiro, é preciso ver o que é bom fazer, e depois verificar se é realmente isso que se faz.» |
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Excertos: CAPÍTULO IV Seguir a via da individualidade O mal é limitado, mas o bem não tem limites A questão da personalidade e da individualidade é um problema para toda a vida, e não só para toda a vida, mas para muitas encarnações, pois é muito frequente o homem, quando crê que está a ser bem inspirado, na realidade estar a ser aconselhado e atraído pela sua personalidade, que o arrasta para as piores infelicidades. A individualidade bem tenta preveni-lo das consequências dos seus atos e dos acidentes que o ameaçam, mas ele não a escuta e até a manda calar. Por isso, o nosso primeiro trabalho consiste em nos observarmos continuamente: perante cada ideia e cada desejo que nos atravessa, devemos ter o cuidado de perceber qual é a sua natureza… Sim, conhecer a natureza de cada impulso, para sabermos em que sentido é que ele vai arrastar-nos. Infelizmente, muito poucos estão habituados a fazer este esforço; os outros deixam-se arrastar, sucumbem, embarcam na personalidade, e depois são assaltados por desilusões e remorsos. Se pudésseis penetrar no coraçãodos humanos ou escutar as suas confissões, ficaríeis horrorizados! Eu fico muitas vezes horrorizado com tudo o que vêm dizer-me e concluo daí que os humanos não têm uma noção adequada acercadas duas naturezas que neles se manifestam. Os humanos são impelidos a satisfazer os seus desejos inferiores, pensando que serão eles mesmos a tirar proveito disso. De modo nenhum! É para outros que eles estão a trabalhar, mas só se apercebem disso no fim, quando já perderam tudo: as suas forças, a sua alegria, as suas inspirações. Com efeito, existem entidadesalimentar-se à sua custa. No dia em que ele se apercebe disso, compreende que, durante toda a sua vida, esteve a trabalhar para outros e não para ele próprio, isto é, para a parte imortal do seu ser que deve continuamente enriquecer-se, expandir-se. E quem serão esses “outros”? Explicar-vos isso seria muito demorado: existem tantas entidades destas, que têm interesse em se alimentar à nossa conta! Gerações inteiras trabalharam para as satisfazer e agora nós temos uma herança, trazemos connosco muitas dessas criaturas, que, sem nos apercebermos, se aproveitam de nós. Se um dia pudéssemos ter a revelação disso, a consciência disso, renunciaríamos a trabalhar para elas... Mas, em contrapartida, existem outras criaturas no mundo invisível, para as quais podemos trabalhar e sermos nós próprios a ganhar continuamente, porque cada um dos nossos esforços para as contentar e as satisfazer faz aumentar o nosso património, a nossa riqueza, a nossa força. Aqueles que sabem observar-se podem constatar isso: depois de terem satisfeito certos desejos, apercebem-se de que perderam algo da sua força, da sua paz, da sua lucidez, o que prova bem que foram outros seres que beneficiaram e não eles. Se nós fôssemos clarividentes, o que não veríamos! São milhões e milhões aqueles para quem trabalhamos e que nos tiram as energias... Um dia, falei com um escritor que se julgava alguém importante porque tinha escrito dois ou três romances. Eu expliquei-lhe esta questão dos dois aspetos da natureza humana e, quando ele me ouviu dizer que no mundo invisível existem criaturas que nos exploram, que se servem de nós, exatamente como nós exploramos os animais, ficou indignado, furioso: «Como?! Isso é impossível!» Eu olhei para ele, pensando que, embora fosse escritor, ele não era suficientemente perspicaz para compreender que aquilo que nós fazemos com os animais, podem outros fazê-lo connosco. Os homens fazem os animais trabalhar, arrancam-lhes a pele e vendem a sua carne, sem nunca perguntarem a si mesmos se têm o direito de o fazer. Se questionassem os animais, por certo eles se queixariam de que os homens são injustos e cruéis. Mas os humanos acham que é normal. Então, por que não existirão outros seres que agem connosco da mesma maneira? É lógico! Eles utilizam-nos: dão-nos um pouco decutar os seus projetos, e, por fim, esquartejam-nos e transformam-nos em presuntos e em chouriços com os quais se regalam. Se as pessoas soubessem o que é o mundo invisível! Há nele todo o tipo de nacionalidades, de povos, de tribos, e alguns atiram-se ferozmente a certos homens, tal como os homens usam obstinadamente certos animais, para os fazer trabalhar, para os vender, para lhes arrancar a pele ou para os comer: é a mesma coisa. Eis um conhecimento novo, que mais tarde será dado a toda a humanidade; por enquanto, sois vós que beneficiais dele. Podeis compreender, pois, a importância que tem analisardes-vos continuamente, para verificardes de que tipo são os vossos pensamentos, os vossos desejos, os vossos projetos, como um joalheiro examina as pedras preciosas, as separa e as classifica segundo as suas qualidades... Em certos domínios, os homens agem com muita sabedoria: sabem que, no que respeita aos alimentos, às roupas, às flores, aos frutos, aos objetos, existem na vida diferentes graus, diferentes níveis: as coisas e também os seres são de qualidade superior ou de qualidade inferior. É possível que alguns achem a pobreza melhor do que a riqueza, prefiram as mulheres feias às bonitas ou escolham vestir-se de andrajos, mas eu refiro -me ao que se passa em geral, e constato, em todos os domínios, que as pessoas estabelecem espontaneamente uma distinção entre os graus superiores e os graus inferiores. Por isso, os Iniciados, baseando-se nesta constatação tão simples, dir-vos-ão que, de grau em grau, é possível ir continuamente mais alto e encontrar sempre uma qualidade superior, pois nesta direção não existe limite. Quando encontrais um homem inteligente, não podeis dizer: «Ah!, eis o limite supremo da inteligência e do saber», porque podereis sempre encontrar, mais tarde, uma pessoa ainda mais inteligente. Não se pode estabelecer um limite para a inteligência, nem para a beleza, nem para a bondade, nem para o amor: eles não têm limite, podem ser ampliados até ao infinito! E quando nos dirigimos para o polo inverso, poderemos ir até ao infinito? Não, e ireis ver a diferença. Se quiserdes descer no domínio da fealdade, da miséria ou da doença, encontrareis um limite, porque tudo o que é inferior tem um limite. Como sucede,pode elevar-se de 0°C até ao infinito, mas não pode descer abaixodos -273°. Como as partículas submetidas ao frio bloqueiam, ficam comprimidas umas contra as outras e já não podem mexer-se. E, quando deixa de haver movimento, é atingido o limite do frio. Pelo contrário, o calor, que dilata os corpos, acrescenta velocidade às partículas e aumenta o espaço no qual elas se deslocam. Como o espaço é infinito, não pode haver limites em parte nenhuma. Se nós vemos limites, é porque ainda não fomos ver e estudar domínios que nos ultrapassam, e então dizemos: «Pois é, a coisa termina ali.» Não, para “cima” não há limites. Por isso, eu tirei a seguinte conclusão: o mal está limitado no espaço, mas também no tempo, Deus não lhe deu uma duração eterna, ao passo que o bem é ilimitado no tempo e no espaço. Eis uma diferença que os homens ignoram: eles imaginam que as forças do bem e do mal se equilibram. De modo nenhum! Se desejais uma conclusão mais exata, ei-la: quando alguém se eleva em direção ao polo positivo, entra no tempo e no espaço ilimitados, no infinito, na eternidade, e é precisamente esta ausência de limites que é Deus. Só Deus é ilimitado, tudo o resto é limitado. Por conseguinte, não há igualdade de forças entre o Céu e o Inferno. Então, que conclusões podemos daqui tirar, do ponto de vista moral? Que todos aqueles que escolheram o caminho descendente da personalidade, das fraquezas, das desordens, escolheram a destruição e a morte. Pouco a pouco, eles desaparecem, porque estão tão amarrados, tão apertados no fundo do cone invertido, que já não conseguem mover-se nem respirar. Pelo contrário, quando se escolhe a direção ascendente da individualidade, adquire-se uma dimensão, uma vastidão e uma liberdade cada vez maiores. Os seres verdadeiramente inteligentes escolhem este caminho, porque, ao subirem, encontram espaço, encontram a liberdade e um grande número de soluções, o que evita que eles vão de encontro a obstáculos e se quebrem. Aqueles que se dirigem para baixo, pelo contrário, sentem-se cada vez mais limitados e começam a combater-se e a exterminar-se uns aos outros para terem um pouco de espaço vital. Começai simplesmente a viver alguns dias em estados caóticos e observai-vos bem: constatareis que todas as forças benéficas, luminosas, vos vão deixando progressivamente, e que outras presenças, completamente opostas, se infiltram em vós. Começareis a sentir que algo em vós se torna pesado, obscurece, congela, que perdeis a inspiração... Todas estas sensações são já um aviso de que o espaço está a ficar mais estreito. Quando estais retidos no meio de uma multidão, no comboio ou no metropolitano, ficais impossibilitados de vos mover, sentis-vos sufocados, mas depois, quando saís, ah!, soltais um suspiro de alívio. Que alegria é respirar livremente! Pois bem, é necessário ter observado estes factos para descobrir que eles têm uma correspondência no domínio espiritual. Toda a gente passou por experiências destas, mas quem é que sabe servir-se delas, interpretá-las e daí tirar conclusões? Então, assim que sentirdes em vós uma espécie de sufoco, algo que vos aperta, deveis interpretar imediatamente essa sensação e dizer: «Oh! Oh! Estou a perder-me, a afundar-me, não tomei a direção conveniente», e retomar, então, o caminho ascendente. Todos vós já passastes por estados destes, não é verdade? Pelo menos durante algumas horas, alguns dias, algumas semanas... ou alguns anos! Sim, todos, mas poucos de vós se aperceberam disso e compreenderam esta linguagem. No entanto, ela era clara e precisa, só que não havia intérpretes, porque os pais, os professores, nunca dão este género de instrução. Mas aqui, no Ensinamento da Fraternidade Branca Universal, são-vos reveladas as verdades que vos ajudam a forjar o vosso futuro. Então, vá!, analisai-vos e vereis. Quantas vezes não tivestes já este género de sensações! E isso não aconteceu por acaso. Não havia uma multidão de pessoas no vosso quarto, não estáveis no metropolitano, no entanto, sentistes-vos arrasados, obscurecidos, tomados por uma aflição estranha, insólita, ou então atingidos por uma fraqueza, sim, uma lassidão quase mortal. A razão de tudo isso é que vos deixastes arrastar e, portanto, deveis esforçar-vos por retomar o bom caminho.2 Evidentemente, quando se é muito ignorante e, durante anos, se descura essas advertências, a situação piora pouco a pouco, a pessoa vai-se enterrando, e depois é como nas areias movediças: quanto mais ela se esforça para sair, mais se enterra, pois já não tem bases sólidas onde pôr os pés. O que quereis? Se vos aventurais a entrar num pântano infestado de vespas, moscas e mosquitos, não deveis ficar surpreendidos se todos esses animais se lançarem sobre vós e vos picarem. É o que acontece no domínio psíquico: há imensos insetos, imensa bicharada que vem picar-vos! E vós nem sequer sabeis encontrar o caminho para fugir deles. O que fazer? Não devíeis ter entrado nessas regiões, pura e simplesmente. Por que é que fostes lá meter-vos? Essas criaturas estão no seu território, têm o direito de se sublevar e de vos gritar: «Então?! És um importuno aqui! O que vens aqui cheirar? Isto é o nosso reino!», e perseguem-vos. Deveis explicar as vossas desilusões e as vossas tristezas pelo facto de não estardes a seguir o bom caminho. Se viverdes de acordo com todas as regras, só encontrareis dificuldades insignificantes e fáceis de ultrapassar. Como vedes, há ainda muitas coisas a dizer a propósito da personalidade. O ponto mais importante a reter é que a personalidade está muito estreitamente ligada ao mundo subterrâneo. É certo que, neste mundo subterrâneo, também habitam seres magníficos, excelentes operários, e até devas. Mas a maioria das criaturas subterrâneas são pouco evoluídas, obscuras, egoístas, e, como a personalidade está relacionada com elas, quem segue os seus conselhos e satisfaz os seus caprichos recebe as más influências destas criaturas e, um dia, fica complemente limitado e acorrentado. Quero acrescentar que nós não devemos aniquilar a personalidade com o pretexto de nos libertarmos. Ela existe para nos dar os materiais necessários ao nosso trabalho na terra; ela é, se preferirdes, uma velha avó muito rica, e nós podemos usufruir dos seus tesouros, mas sem seguir os seus conselhos nem a tomar como guia, pois ela é egoísta. Deveis pô-la a trabalhar: como operária, ela fará grandes coisas, porque é ela que possui a chave dos armários, da dispensa, etc... Não devemos matá-la, mas sim dominá-la, torná-la obediente. O homem imagina que é ele quem manda; mas não, ele está enganado, é a personalidade que manda e ele é o seu escravo. Mas como ele não é ainda capaz de fazer esta análise, continua a enterrar-se cada vez mais e acha-se limitado e acorrentado. Constatei isto muitas vezes! Até estudei este mecanismo em mim... Sim, de onde pensais que eu obtenho todos estes conhecimentos, anão ser de mim próprio, graças ao hábito que adquiri de decifrar, de analisar, de observar até ao mínimo pormenor aquilo que se passa em mim? Mas, para aprendermos, não vale a pena irmos fazer, como toda a gente, experiências bastante arrojadas em certos domínios, pois corremos o risco de aí nos perdermos definitivamente. É extraordinário! Aquilo que é negativo, pernicioso, viciante, imoral, toda a gente está de acordo em ir verificá-lo. Se, ao menos, o verificassem de longe, tocando-lhe apenas ao de leve e contentando- se com esse pouco para tirar as suas conclusões, eu compreenderia... Mas não, as pessoas levam a experiência a fundo e não uma vez só, mas dez, cem vezes, sem pensarem que não lhes restará nenhum recurso para o dia em que quiserem conhecer outra coisa. Imaginai que alguém, depois ter cometido toda a espécie de loucuras, decide tentar experiências celestes, conhecer a imensidão, o esplendor, a luz... Essa pessoa não conseguirá, não disporá nem de condições, nem de meios, nem de possibilidades, pois terá gasto tudo, desperdiçado tudo.3 Não se consegue fazer experiências divinas depois de se ter esbanjado tudo noutras vivências. Imaginar que isso é possível significa que não se conhece nada da ciência da vida. Está-se já na falência, na bancarrota, e ainda se imagina que se pode ir fazer experiências celestes com a mesma frescura, a mesma intensidade, a mesma força, a mesma flexibilidade? Está-se completamente sujo, completamente apodrecido, e vai-se percorrer os céus? Que ignorância! Nunca ninguém o conseguiu. Só aqueles que apenas tocaram ao de leve esse mundo subterrâneo, que não se enterraram completamente, só esses podem voltar a subir a encosta, reparar os seus erros, restabelecer a corrente. Mas àqueles que querem ir até ao fundo das experiências mais grosseiras, eu digo: «Ide, se quiserdes! Tenho curiosidade em ver o que fareis depois.» Nada! Eles não poderão fazer nada; para eles estará tudo acabado, tudo perdido. Para o bem, não há limites. Por isso, para mim, uma das melhores definições de Deus é a seguinte: a Divindade está onde não existem limites. Deus encontra-se unicamente no que é imortal, eterno, infinito. Tudo o que é limitado no tempo e no espaço não pode representá-l’O. Para o bem não há limites, tal como acontece com o calor: mesmo que se atinja milhões de graus, ainda não se sabe qual é a temperatura limite. No ano passado, quando eu visitei a Exposição Mundial de Montréal, vi no pavilhão russo uma máquina formidável que podia produzir milhões de graus de temperatura para se fazerem trabalhos sobre toda a espécie de substâncias químicas e orgânicas e até sobre o plasma. Se raciocinassem corretamente, os humanos teriam chegado à conclusão de que, se a própria natureza estabeleceu uma escala de valores, com qualidades superiores e qualidades inferiores, isso prova que existem duas direções que podemos prolongar; mas o mal para num certo grau, ao passo que o bem pode ser prolongado indefinidamente.4 Se ainda não se soube refletir e tirar conclusões acerca do calor e do frio, é porque ainda não se sabe ler a linguagem da Natureza. O mundo de baixo não é mais do um reflexo do mundo do Alto. Então, se raciocinardes bem... Sim, mas é necessário conseguirdes habituar o vosso cérebro a raciocinar bem, isto é, a reparar as deformações que o mundo, a família, a instrução, imprimiram em vós, como aconteceu comigo, aliás. Mas eu trabalhei para me desembaraçar disso, e vós, se também conseguirdes libertar-vos de todas essas deformações, tereis a mesma maneira de raciocinar que eu e fareis as mesmas descobertas que eu fiz. Todos os dias eu vos revelo verdades que não podeis negar; eu não as invento, elas existem desde sempre, mas as pessoas não as veem porque se deixaram deformar pela cultura atual. Portanto, é necessário libertarmo-nos dela cada vez mais, senão passaremos a vida inteira sem descobrir coisa nenhuma. Eu nado nessas verdades noite e dia, mas ainda não posso comunicar-vos todas. Enquanto não vos libertardes de todas as conceções erradas que vos foram transmitidas pela educação que recebestes, não as compreendereis, não as aceitareis. Imaginai que, num mesmo papel, fizerem dois desenhos, um com tinta vermelha e outro com tinta verde. Se vos derem uns óculos vermelhos, vós olhareis e não vereis o desenho vermelho, mas apenas o verde, porque, com o vermelho sobre vermelho, as cores confundem-se. E mesmo que esse desenho verde seja perfeitamente banal ou até feio, só vereis esse desenho. Agora, dão-vos uns óculos verdes; vós olhais para o outro desenho, que é vermelho, ficais surpreendidos e exclamais: «Oh! Mas ele estava ali!» Sim, ele estava lá, mas vós não o vistes, porque os óculos que vos deram até agora vos impediam de o ver. No entanto, ele estava lá! Ora, quando vós vedes as árvores, as estrelas, as montanhas, todo o mundo físico, isso é um das duas imagens, mas existe outra por detrás, que vós ainda não vedes... E agora eu dou-vos outros óculos para que possais vê-la. Talvez até aconteça que comeceis a deixar de ver a primeira... Tanto melhor! Está tão vista que não vale a pena sobrecarregardes- vos eternamente com ela... A Natureza fez dois desenhos. Há que tentar descobrir o segundo, o desconhecido... Aliás, será que ela só fez dois? Eu falo em dois para facilitar a compreensão, mas, na realidade, ela fez milhares! Ora aí está, é simples, é claro: deveis conhecer as duas direções que existem em nós e saber que, se tomardes o caminho descendente, estareis numa via sem saída, num beco, comparável ao zero absoluto (que, aliás, nunca foi atingido), que se caracteriza pela imobilidade total das moléculas. Pelo contrário, se seguirdes o rumo ascendente, tereis acesso ao infinito e haverá muitos tesouros acumulados ao longo da estrada!... A maioria dos humanos vive uma vida ao retardador. Desde que tenham um trabalho, uma casa, uma mulher, ou um marido, e filhos, para eles isso é suficiente, ficam contentes. E, quando ouvem ideias novas como as nossas, dizem: «Este fulano vem perturbar- -nos! Estamos tão bem como estamos!» Sim, eles estão habituados a viver assim desde os tempos pré-históricos, mas eu chego e começo a aborrecê-los, não os deixo tranquilos, e eles começam aos berros. Sim, mesmo os irmãos e as irmãs acham que eu os sacudo. Mas não há nada a fazer, incumbiram-me desta tarefa e eu tenho de a cumprir, quer isso vos agrade quer não. Sou obrigado a não vos deixar tranquilos, e quando vos lamentais aqui em baixo, lá em cima, no mundo divino, há outros que aplaudem e se alegram! Eu sei bem que, na opinião dos humanos, o modo como eu vos sacudo não é muito apreciado, mas, lá em cima, eles acham que os meus métodos facilitam muito a vossa evolução. Le Bonfin, 3 de setembro de 1968 |
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Especiais: ÍNDICE Prefácio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 I -A personalidade, manifestação inferior da individualidade. . . . . . . . . . . . . . . . 19 II -O homem entre a personalidade e a individualidade Jnani-yoga. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 III -Apropriar-se e dar (o Sol, a Lua e a Terra). . . . . . . . . . . . . . . 41 IV -Seguir a via da individualidade O -mal é limitado, mas o bem não tem limites. . . . . . . . . . . . 63 IV -A verdadeira felicidade está na individualidade. . . . . . . . . . 73 VI -É impossível mudar a natureza da personalidade . . . . . . . . . 95 O sentido iniciático da fermentação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95 VII -A personalidade quer viver a sua vida, a individualidade quer cumprir os projetos do Senhor. . . . . . 107 VIII -A imagem da árvore A individualidade deve absorver a personalidade - I. . . . . . . 115 IX -Os dois métodos de trabalho sobre a personalidade. . . . . . . . 123 X -É a personalidade que impede o Céu de se manifestar em nós. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131 XI -Identificar-se com a individualidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137 XII -O sentido do sacrifício nas religiões . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 147 XIII -A individualidade repara os desequilíbrios provocados pela personalidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153 XIV -«Dai a César o que é de César!» . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163 XV -A personalidade é apenas o suporte da individualidade Aceitar a nova filosofia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167 XVI -A individualidade deve absorver a personalidade - II. . . . . . 173 XVII -Encontrar associados para combater a personalidade . . . . . . 179 XVIII -Quanto mais se desce à matéria, mais limitado se fica . . . . .185 XIX -Domesticar os seus animais interiores. . . . . . . . . . . . . . . . . . 191 XX .Natureza natural e natureza antinatural. . . . . . . . . . . . . . . . . 201 XXI .Pôr a sexualidade ao serviço da natureza superior. . . . . . . . . 207 XXII .O trabalho para a fraternidade universal . . . . . . . . . . . . . . . . |
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