Ir para o conteúdo Ir para rodapé

A LUZ, ESPÍRITO VIVO

Autor:Aïvanhov, Omraam Mikhaël

10.00

Informação adicional

Peso 180 g
ISBN

978-989-8691-57-6

Ano

2017

Edição

1

Idioma

Formato

11×18

Encadernação

Cartonada

N. Pág.

140

Colecção

REF: 513 Categorias: , , , , , ID do produto: 23392
Partilhe:

O Mestre Omraam Mikhaël Aivanhov (1900-1986) nasceu na Bulgária. Em 1937 partiu para França, onde transmitiu o essencial do seu ensinamento.
Aquilo que nos espanta, desde a primeira abordagem, na sua obra, é a multiplicidade de pontos de vista sob os quais é apresentada esta única questão: o homem e o seu aperfeiçoamento. Qualquer que seja o tema abordado, ele é invariavelmente tratado em função do homem, em tunção do uso que este pode fazer desse tema, para uma melhor compreensão de si mesmo e uma melhor conduta na sua vida.

Nenhuma criatura pode subsistir sem um certo número de elementos, que recebe do exterior. Apenas o Criador escapa a esta lei, Ele não necessita de nada exterior a Si, e é neste sentido que se pode dizer que só o Criador é livre. Mas, como Ele deixou em todas as criaturas humanas uma centelha, um espírito que é da mesma natureza que Ele, cada uma pode libertar-se das limitações do mundo exterior e, graças ao espírito, criar aquilo de que necessita.. O Ensinamento que eu vos trago é o do espírito, do Criador, e não o da matéria, da criação. Por isso vos digo: entrai no domínio do espírito que cria, que modela, que dá formas, e escapareis cada vez mais ao domínio do mundo exterior, sereis livres.

IV
A LUZ QUE PERMITE VER E SER VISTO

A luz tem como propriedade essencial fazer ver: ao iluminar o nosso caminho, ela faz aparecer os perigos, mas também as bênçãos. Portanto, ela revela-nos a realidade. Cada coisa tem propriedades bem determinadas, mas só a luz tem a propriedade de nos iluminar, de nos mostrar o caminho. Vós acendeis uma lanterna e apercebeis-vos de que estais mesmo à beira de um precipício: «Pois é – dizeis vós –, mais dois passos e era o meu fim!»
Cada coisa tem as suas qualidades próprias. A luz não vos alimentará, evidentemente, não vos dará dinheiro, mas talvez vos mostre onde está escondido um tesouro; vós podereis ir desenterrá-lo e tornar-vos-eis muito ricos. Sem luz, mesmo que tenhais dinheiro, roubar-vo-lo-ão, porque aquele que vive às escuras encontra sempre alguém que o rouba. Isto verifica-se tanto no mundo interior, como no mundo exterior. Aliás, é este o sentido das palavras de Jesus citadas nos Evangelhos: «Acumulai tesouros no Céu, onde os vermes e a ferrugem nada destroem e os ladrões não penetram nem roubam.»1
Esta parábola nunca foi corretamente interpretada, porque não se compreendeu que os ladrões, os vermes e a ferrugem representam os perigos que ameaçam o homem nas suas três faculdades essenciais: o intelecto, o coração e a vontade.
Sim, os ladrões que se aproveitam de não serem vistos – ou seja, da escuridão – para dar o seu golpe simbolizam os perigos que ameaçam o intelecto quando este perde a luz. A partir do instante em que o homem perde a luz, os ladrões, isto é, as ideias bizarras, as dúvidas, as inquietações, introduzem-se nele e deixam-no pobre, fraco ou, por vezes, até o conduzem à loucura. Há imensas pessoas em manicómios por terem apagado a luz nas suas cabeças! Aproveitando essa escuridão, os ladrões vieram e levaram tudo. Portanto, se quiserdes proteger-vos dos ladrões, acendei a luz. Já pensastes por que é que se deixa as montras acesas durante a noite? É porque a luz protege.
Um dia, tive ocasião de conversar com uns inspetores da polícia e disse-lhes: «Julgais que podeis combater a criminalidade aumentando o número de efetivos da polícia e melhorando os vossos métodos de vigilância e de pesquisas? Estais enganados, porque os meios exteriores são incapazes de atuar eficazmente neste domínio. O único meio eficaz é a luz.» Eles olharam para mim, estupefactos: «A luz?… Como? – Pois bem, refleti: os criminosos só se permitem transgredir as leis e preparar tranquilamente todo o tipo de roubos, de assaltos, de raptos e de assassínios porque sabem que, na maioria dos casos, as pessoas não suspeitam dos seus projetos, não têm qualquer intuição suscetível de as advertir e de as fazer tomar precauções. Mas imaginai que as pessoas possuíam uma luz interior que lhes permitia detetar com antecedência, e de muito longe, aquilo que alguém prepara contra elas: tomariam precauções e o malfeitor não conseguiria realizar os seus intentos. O único meio para acabar com a criminalidade é, pois, a luz. Por isso, é preciso ensinar os humanos a desenvolverem a sua luz interior. Isso levará muito tempo, mas é o único meio seguro.» Evidentemente, os inspetores olharam para mim siderados, nunca tinham pensado em semelhante coisa.
Enquanto os humanos não tiverem desenvolvido neles próprios o único meio que permite ver e prever, a luz, serão sempre apanhados desprevenidos, de um momento para o outro, por pessoas que estão sempre a pensar em preparar golpes. Mesmo os meios técnicos mais aperfeiçoados não podem assegurar uma proteção suficiente contra os malfeitores, porque eles também se servem desses meios. Vede tudo o que acontece nos assaltos aos bancos. Apesar dos cofres blindados, dos sistemas de alarme eletrónicos, etc., os assaltantes conseguem os seus fins, porque também têm meios: as inovações técnicas de que a polícia se serve são também usadas pelos malfeitores. Só se conseguirá acabar com a criminalidade quando se decidir utilizar a luz.
Nós só temos a possibilidade de ver porque os raios de luz incidem sobre os objetos e os tornam visíveis aos nossos olhos. Sem a luz, não se vê nada, o que prova que, se existe um mundo invisível para nós, é apenas porque não somos capazes de projetar raios sobre os objetos e as entidades que o povoam. Inversamente, os Iniciados são capazes de ver tantas coisas que os outros não veem porque sabem projetar esses raios.
Eis verdades que são ignoradas; aliás, quem estaria disposto a ocupar-se de ensinar aos humanos como podem projetar raios luminosos por intermédio do coração, do intelecto, da alma e do espírito? É tão interessante ensiná-los a fazer pela vida, a ganhar dinheiro, a conquistar um lugar! Mas eles bem podem fazer pela vida dia e noite, que isso só os torna mais infelizes e mais doentes. Por isso, eles devem decidir-se a trabalhar sobre a luz e com ela, a fim de poderem projetá-la, pois só ela nos permite ver. Sim, como é possível que nada no mundo, nem mesmo o que existe de mais precioso, como o ouro e as pedras preciosas, seja capaz de expulsar as trevas? Como é que o Criador deu à luz esse poder incrível?
Se conhecerdes a linguagem simbólica, compreendereis que as trevas não são mais do que os sofrimentos, as fraquezas, as doenças e, portanto, só a luz pode lutar eficazmente contra elas. É inútil procurardes fora da luz remédios para as vossas dificuldades. Evidentemente, no plano físico, para entrarem num subterrâneo, numa gruta, numa cave, todos sabem acender lanternas ou lâmpadas, mas, quando se trata da vida interior, ninguém pensa em utilizar a luz.
Vamos mesmo mais longe: a luz que permite ver também permite ser visto. O mundo representa um oceano às escuras e, nesse oceano, vós sois semelhantes a navios à deriva; para que os espíritos muito elevados, que querem salvar-vos, possam encontrar-vos, deveis emitir sinais luminosos. Se fordes trevas nas trevas, como é que os espíritos se aperceberão de vós? Jesus disse: «Orai!»2, isto é, enviai correntes poderosas; ora, aos olhos do Céu, nenhum outro poder ultrapassa o da luz. O Céu não gosta de se ocupar de quem é apagado, e quem quer que o Céu lance um olhar para si deve acender todas as suas lâmpadas.
Desejais que o mundo divino responda a todas as questões que vos atormentam? Enviai para o Alto sinais luminosos ao mesmo tempo que essas questões, e o Alto responder-vos-á. Ficai a saber que, se colocardes as questões de uma maneira diferente, não recebereis resposta, pois o Céu não cede a nenhuma pressão, exceto à da luz.

Notas 1. Cf. Nova luz sobre os Evangelhos, Col. Izvor n.º 217, cap. IV: «Acumulai tesouros…». 2. Cf. O verdadeiro ensinamento do Cristo, Col. Izvor n.º 215, cap. IX: «Vigiai e orai» e A oração, brochura n.º 305.

ÍNDICE

I – A luz, essência da criação
II – Os raios de sol: a sua natureza e a sua actividade
III – O ouro, condensação da luz solar
IV – A luz que permite ver e ser visto
V – O trabalho com a luz
VI – O prisma, imagem do homem
VII – A pureza abre as portas à luz
VIII – Viver a vida intensa da luz
IX – O raio laser na vida espiritual