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CRIAÇÃO ARTÍSTICA E CRIAÇÃO ESPIRITUAL

Autor:Aïvanhov, Omraam Mikhaël

10.00

Informação adicional

Peso 200 g
ISBN

978-989-8691-58-3

Ano

2018

Edição

1

Idioma

Formato

110 X 180

Encadernação

Cartonada

N. Pág.

190

Colecção

REF: 778 Categorias: , ID do produto: 23533
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SINOPSE

«Só é criador quem se esforça por se superar, para atrair das regiões celestes elementos que depois transmitirá à sua criação, pois a criação não é uma simples reprodução, uma cópia, mas um passo em frente, uma evolução. Eis, para todos, perspetivas magníficas, novos horizontes: saber fazer trocas com os mundos superiores, saber que a oração, a meditação e a contemplação são meios de criação. E se houver quem argumente que os artistas devem procurar formas novas, que eles devem traduzir as realidades do seu tempo, etc., eu responderei que, com efeito, eles são livres de criar como entendem. Mas a verdadeira missão da arte é a de poder dar aos humanos um antegozo, um “cheirinho” do que é o Céu.»
Omraam Mikhaël Aïvanhov

VI
O CANTO CORAL

Cantar num coral a quatro vozes é um ato de grande significado. Em primeiro lugar, é um símbolo do que devemos fazer para nos sintonizarmos, para criarmos harmonia entre nós, uma vez que a fusão das vozes acima das nossas cabeças é, ao mesmo tempo, uma fusão das nossas almas e dos nossos espíritos. Depois, por intermédio do canto coral nós exprimimos o desejo de abarcar o Universo, de estar em harmonia com o Todo. Por isso, antes de começardes a cantar, deveis lembrar-vos sempre de lançar um olhar para dentro de vós, a fim de vos apaziguardes, de vos afastardes das preocupações diárias, e assim conseguirdes harmonizar-vos com todas as criaturas do Cosmos e cantar em uníssono com elas. Por último, esta prática de cantar a quatro vozes é já, no plano físico, um reflexo, uma expressão, do exercício que, diariamente e até várias vezes por dia, devemos executar para, em conjunto, sintonizarmos o nosso espírito, a nossa alma, o nosso intelecto e o nosso coração. Pode dizer-se que as quatro vozes – baixo, tenor, contralto e soprano – correspondem às quatro cordas do violino, que é igualmente uma imagem do homem: a corda “sol” representa o coração, a corda “ré”, o intelecto, o “lá”, a alma, e o “mi”, o espírito. O violino em si representa o corpo físico. E o arco é a vontade que age sobre os quatro princípios: coração, intelecto, alma e espírito. A fusão harmoniosa das quatro vozes, ou a execução nas quatro cordas, ensina-nos que, no homem, os quatro princípios – coração, intelecto, alma e espírito – devem vibrar em harmonia. Já vos questionastes sobre a razão por que um violinista tem sempre de afinar o seu violino? Para nos mostrar que o homem não pode fazer um verdadeiro trabalho interior se todo o seu ser não estiver harmonizado. Por conseguinte, antes de tudo o mais, é necessário lançar um olhar para dentro de si mesmo e não empreender coisa alguma sem que antes as “cordas do violino” estejam afinadas.
Cantar é muito importante. É certo que as pessoas podem limitar-se a ouvir discos, como fazem em sua casa. Em França, muito pouca gente canta; a maior parte das pessoas nem sequer sente necessidade de o fazer. Contudo, entre cantar e ouvir cantar existe uma enorme diferença. É exatamente como entre comer e ver alguém comer. Se vos limitardes a olhar para alguém que come, essa pessoa ganhará forças, e vós não; e quando ela se levantar terá dinamismo, estará pronta a trabalhar, ao passo que vós mal podereis mexer-vos. É esta a diferença. Sim, aqueles que cantam ligam-se ao mundo da música; os outros enfraquecem interiormente, porque não se alimentam. A música e o canto são alimentos que permitem fazer um trabalho espiritual. Direis vós: «Ah! Então podemos fazer um trabalho enquanto cantamos?» Com certeza, desde que não considereis o canto como um passatempo, mas como uma atividade que abrange todas as regiões do ser. Na Árvore Sefirótica, a música pertence à séfira Hohmah, na qual reinam os Querubins. Os Querubins são pura música, por isso vivem em perfeita harmonia. Hohmah é a região do Verbo que tudo criou, e o Verbo é precisamente música, os sons harmoniosos que deram forma à matéria, porque o som modela a matéria, dá-lhe formas. Foi assim que, pelo Verbo, Deus modelou a matéria informe (em hebraico, “tohou va bohou”, como refere o Génesis). Deus falou sobre esta poeira cósmica e as formas apareceram. Sob a ação do Verbo, os Querubins receberam uma vibração divina e essa vibração transmitiu-se a todas as outras criaturas das regiões situadas abaixo da séfira Hohmah, até chegar à Terra.1
Os Querubins só sabem cantar em conjunto, em harmonia; por isso, sempre que os humanos cantam em coro, começam a ligar-se a esta ordem angélica dos Querubins, que é a ordem da música e da harmonia celestes. Quando cantais, mesmo sem o saberdes, ligais-vos aos Querubins e, nesse momento, a harmonia dos sons trabalha sobre vós, consegue mesmo fazer vibrar as partículas do vosso corpo físico, até que este, um dia, ganhe formas com uma harmonia e uma beleza perfeitas. O canto prepara, pois, as melhores condições para a purificação e o embelezamento do corpo físico. E, um dia, despontarão na vossa alma antenas capazes de captar as forças cósmicas que vêm da região de Hohmah; nesse momento, recebereis inspiração, ouvireis a harmonia das esferas, cantareis com os Anjos, e a sabedoria virá instalar-se em vós, pois a música é uma expressão da sabedoria: Hohmah, em hebraico, quer dizer “sabedoria”. Hohmah é uma região que se situa para além da nossa escala de 7, estende-se para além dos planetas do nosso sistema solar, abarca o Zodíaco. E como o Zodíaco é um símbolo da imensidão, do Cosmos, do Infinito, a música eleva-nos até nos fundirmos com a imensidão. Deveis tentar compreender tudo isto e não vos deterdes no prazer da sensação. Deveis saber que os benefícios do canto vão até às regiões mais sublimes. Se conseguirdes compreender bem esta questão, estou certo de que dedicareis muito mais tempo a cantar em conjunto, porque sentireis em vós resultados tangíveis desse trabalho. Estais sempre mergulhados em ocupações aparentemente importantes, mas que não vos tornam mais felizes nem mais nobres, nem mais luminosos, nem mais saudáveis. Talvez vos tragam maiores facilidades, maior desafogo, mas isso nada acrescenta à vossa transformação. Porém, ao cantardes em conjunto, com convicção, tentais sintonizar-vos com uma outra ordem de coisas, evoluís, transformais-vos. Mesmo quando estiverdes sozinhos em casa e vos sentirdes tristes, perturbados, escolhei um cântico, entrai em contacto com a região dos Querubins e imaginai que cantais com todos os vossos irmãos e irmãs do mundo inteiro: sentireis, deste modo, um afluxo de forças e de inspiração. Depois de terdes cantado, sentireis a vida como mais bela e as criaturas melhores, a vossa vontade ficará reforçada. Porque não fazeis isto conscientemente? Vós não vos apercebeis de todos os meios e materiais que possuís e não os utilizais. E isso é o que há de pior: ter riquezas mas ser infeliz, porque se ignora que se possui essas riquezas. Por conseguinte, se dedicardes mais tempo ao canto e se todos, sem exceção, aprenderem a cantar em conjunto e em harmonia, isso dará ótimos resultados. É um trabalho primeiro sobre vós mesmos e depois sobre o mundo exterior, pois essa harmonia reflete-se por toda a parte e, mais cedo ou mais tarde, todos a sentirão. Assim se trabalha para o bem da humanidade.
Tudo o que se faz na vida é mágico, mas este aspeto é ignorado, desconhecido, porque as pessoas têm medo da palavra “magia”; é um domínio que não querem estudar, reconhecer, compreender.
Toda a obra de arte – pintura, escultura, dança… – e até a beleza das criaturas, tudo é magia! “Magia” significa influência, ação de uma coisa sobre outra. Assim, quando um objeto ou um ser exerce uma ação favorável à sua volta, se traz paz, luz, harmonia, dizemos que se trata de magia branca, divina; e se, pelo contrário, trouxer perturbação, escuridão, desordem, dizemos que é magia negra, diabólica. É necessário compreendermos isto e conseguirmos, cada vez mais, pensar, sentir, agir e comportar-nos de maneira construtiva, positiva, harmoniosa: então, tornar-nos-emos magos brancos.2 Portanto, quando vos reunis para cantar, vós possuís um poder mágico formidável, benéfico, mas não esqueçais que esse poder assenta na unidade, na harmonia. Pensai na família que deveis formar. Ponde de lado as vossas diferenças de caráter, de tendências, de grau de evolução, de meio social, de profissão… Nada disso tem importância ou representa grande coisa na vida espiritual. Reforçai nos vossos corações a ideia de que, apesar das vossas divergências, pertenceis todos à Fraternidade Branca Universal, sois seus membros e cantais em conjunto, com o fim de despertar as consciências na Terra inteira; então, sim, representareis uma verdadeira força. Acreditai no que vos digo: é esta unidade que faz a vossa força. Assim, não tem importância que não vos ameis, que tenhais os vossos diferendos; reuni-vos, apesar disso, para cantardes em conjunto, e fareis milagres. Por vezes, vós pensais: «Ah! Se eu encontrar fulano, torço-lhe o pescoço!» Muito bem, mas primeiro ide cantar, depois logo se verá. Começai por cantar e, em seguida, o mais provável é que já não tenhais vontade de torcer o pescoço a quem quer que seja! Não compreendeis de onde vos vem essa súbita indulgência? Foi o canto que vos transformou, que vos adoçou um pouco. Assim, o facto de vos amardes, de vos detestardes ou de terdes opiniões diferentes não tem qualquer importância; o importante é realizardes esta unidade. Acreditais, porventura, que os soldados que partem para a guerra no mesmo regimento se entendem todos bem uns com os outros? Muitas vezes, são vizinhos que se detestavam. Mas, uma vez unidos pela mesma causa, o que eles não são capazes de fazer para repelir o inimigo! Apoiam-se e ajudam-se mutuamente, a ponto de salvarem a vida uns dos outros. Acabada a guerra, recomeçam as suas querelas, mas, pelo menos durante algum tempo, estiveram de acordo. Porque não poderemos nós fazer o mesmo?
Tenho até a certeza de que, enquanto cantais ou orais em conjunto, os vossos mal-entendidos desaparecem e acabais por já não conseguir entrar em querelas. É nisto que está a diferença. O que deveis fazer para adquirirdes esta nova consciência, para estardes todos ligados, unidos pelo trabalho que aqui fazemos? É preciso reforçardes ainda mais esta sintonia, pois é aqui, na coletividade, que encontrareis a verdadeira beleza, a verdadeira harmonia. Assim, em vez de andardes a deambular por onde calha, é preferível virdes aqui para cantar. Porque, mesmo sem vos aperceberdes, vai-se operando em vós uma purificação, uma reordenação, uma iluminação, uma libertação… Estareis a preparar um núcleo, uma célula da nova vida para todos os que hão de vir e que ficarão siderados, ao verificarem que, enquanto eles se divertiam ou perdiam o seu tempo algures, vós estáveis a trabalhar, preparando o advento da nova cultura!

Notas 1. Cf. Do homem a Deus – Séfiras e hierarquias angélicas», Col. Izvor n.º 236, cap. III: «As hierarquias angélicas» e cap. XVI: «Hohmah, o Verbo criador». 2. Cf. O Livro da Magia Divina, Col. Izvor n.º 226, cap. X: «Todos fazemos magia».

ÍNDICE
I Arte, ciência e religião ……………………… 7
II As fontes divinas da inspiração …………. 15
III O trabalho da imaginação …………………. 29
IV Prosa e poesia …………………………………. 43
V A voz ……………………………………………… 61
VI O canto coral …………………………………… 71
VII Como ouvir música ………………………….. 81
VIII A magia do gesto …………………………….. 91
IX A beleza, formas e emanações …………… 113
X A idealização como meio de criação …… 129
XI A obra-prima viva ……………………………. 145
XII A construção do templo ……………………. 159
Posfácio …………………………………………. 169