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HRANI YOGA – O sentido alquímico e mágico da nutrição

19.00

Informação adicional

Peso 300 g
ISBN

978-989-8994-74-5

Edição

1

Idioma

Encadernação

Cartonada

Colecção

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 «Todos põem a questão da alimentação em primeiro lugar, todos começam por procurar resolver esta questão, trabalham para isso e até se combatem por este motivo. Mas uma tal atitude em relação à alimentação ainda é apenas um impulso, uma tendência instintiva que não entrou no domínio da consciência iluminada. Só a Ciência Iniciática nos ensina que os alimentos, que são preparados nos laboratórios divinos com uma sabedoria inexprimível, contêm elementos mágicos capazes de preservar ou restabelecer a saúde, não apenas física, mas também psíquica. Para isso, é necessário saber em que condições esses elementos podem ser captados, e que o meio mais eficaz para tal é o pensamento. Sim, porque o pensamento do homem é capaz de extrair dos alimentos partículas subtis, luminosas, que entram na construção de todo o seu ser, e é assim que, pouco a pouco, ele se transforma. 

Quando a compreenderdes, a nutrição tornar-se-á uma fonte de benefícios e de maravilhas para vós, porque, ao simples facto de comerdes para vos manterdes vivos, somar-se-ão outros significados, outros conhecimentos, outros trabalhos a executar, outros objetivos a atingir. Aparentemente, comereis como toda a gente e todos comerão como vós, mas, na realidade, haverá uma diferença tão gigantesca quanto a que existe entre a terra e o Céu.» 

Omraam Mikhaël Aïvanhov

Capítulo XIV

Na nova raça que está a chegar, ensinar-se-á aos humanos que a alimentação não é um processo tão simples, vulgar e negligenciável como eles têm tendência para pensar, e que, por detrás deste ato quotidiano de comer, Deus ocultou, para cada um de nós, a possibilidade de fazer um trabalho psíquico da mais alta importância, porque a alimentação diz respeito à totalidade do ser humano.

 

1

No ponto mais baixo da escala das criaturas, encontramos os microrganismos unicelulares, os infusórios, as amibas… E que fazem eles? Alimentam-se, simplesmente; não fazem outra coisa… Alimentam-se através de todo o corpo, nem sequer têm boca, muito menos estômago e intestinos; os elementos nutritivos atravessam a sua membrana e penetram no citoplasma. Tal como os microrganismos, o ser humano possui uma membrana, a pele, através da qual recebe os elementos de que necessita. Mas, se essa pele for impermeável, não receberá grande coisa da parte do Universo no que respeita a forças, a energias, ao alimento essencial.

A questão que se põe, pois, é a de aprender a alimentar-se plenamente, não só comendo, mas também captando, através da pele, todas as energias, todas as emanações, que vêm do Cosmos.1 Por isso é necessário manter a pele num estado de grande pureza, física e espiritual. Muitos homens e mulheres lavam-se todos os dias, até várias vezes por dia, e são asseados, claro, mas não são puros. A pureza é outra coisa… Mas hoje não vou falar novamente sobre este assunto.

Na pele existe uma enorme quantidade de pequenos orifícios, os poros, que são como as pequenas bocas, chamadas estômatos, que se encontram na face anterior das folhas das árvores, pois as árvores também se alimentam pelas folhas, não é só 

pelas raízes… Quando a pele deixa penetrar todos os elementos etéricos do Cosmos, o homem alimenta-se plenamente. 

Se estudardes as diferentes formas de nutrição que existem no Universo, abrir-se-ão perante vós horizontes extraordinários. Esta questão sempre me apaixonou, porque compreendi que, de uma forma ou de outra, todos os seres têm de se alimentar, nenhum escapa a esta regra. Até o Senhor se alimenta, Ele também come…

Convido-vos, pois, a ter cada vez mais em consideração este processo tão importante, em primeiro lugar para a vida física, mas também para a vida psíquica, espiritual. Dedicai um pouco mais de tempo a observar, a analisar, qual é o melhor alimento para vós, aquele que vos dá não só forças físicas, mas também forças psíquicas, e qual o que não vos convém. Depois, tomai um e rejeitai o outro.

Le Bonfin, 30 de julho de 1965

 

2

Após uma boa refeição, pensais que a vida é bela, mas, se nada tiverdes para trincar, achareis que ela não tem qualquer sentido. Sim, porque a nutrição é a base da vida. A vida é toda feita de trocas, quer se lhes chame nutrição, respiração ou amor, e, se não se fizer trocas, morre-se.

A Natureza criou estes dois polos, masculino e feminino, que são os homens e as mulheres, para que eles possam aproximar-se e fazer trocas por intermédio da palavra, do pensamento, do olhar.2 Estas trocas são tão indispensáveis como a nutrição ou a respiração, mas ao nível psíquico. Se as pessoas soubessem como realizá-las, viveriam a verdadeira vida, mas, como não sabem, envenenam-se; e, se param de 

as fazer, morrem psiquicamente, espiritualmente. É indispensável fazer trocas, mas procedendo exatamente como na relação com o Sol. O Sol está longe, lá em cima no céu, e as trocas com ele realizam-se ao nível subtil, com a sua luz e o seu calor. Se fôsseis beijar o Sol (admitindo que isso era possível!), ficaríeis queimados; deveis beijá-lo apenas com o olhar, por meio do pensamento. Quando se ama homens ou mulheres, também se deveria contentar-se em beijá-los de longe, pois viver-se-ia uma vida luminosa, subtil. As outras formas de amar criam complicações e põem os seres humanos em situações das quais depois não sabem como sair. Não se deve renunciar ao amor, porque isso leva à morte; só há que torná-lo mais subtil.

As trocas são a base da vida: trocas com a comida, com o ar, com a água, com todas as criaturas do Universo, com os anjos, com Deus. Fazer trocas não é só alimentar-se, comer, beber. Ou então, sim, é comer e beber, mas em todos os domínios da existência, não apenas no plano físico. Portanto, quando digo que a alimentação deve estar em primeiro lugar, refiro-me à alimentação em todos os planos, às trocas que devemos fazer com as diferentes regiões do Universo para alimentarmos tudo em nós, desde o corpo físico até aos corpos mais subtis. Devemos purificar-nos física e psiquicamente para restabelecermos as comunicações, a fim de que as correntes, as energias, possam circular entre o Universo e nós.

A nutrição, repito-vos, deve ser compreendida em todos os domínios. A oração, os êxtases, também são uma forma de nutrição, a melhor de todas, a mais sublime, pois com ela saboreais um alimento celeste, a ambrósia. Todas as religiões se referem a uma bebida da imortalidade, a que os alquimistas chamaram “elixir da longa vida” ou “elixir da vida imortal”. E pode-se encontrar esse elixir mesmo no plano físico, mas nas suas regiões mais elevadas, mais puras. Nós vamos ao nascer do Sol precisamente para bebermos dessa ambrósia que o Sol 

distribui por toda a parte e cujas partículas são recolhidas pelas rochas, pelas plantas, pelos animais, pelos humanos e por toda a Criação. Aliás, as plantas são mais inteligentes do que os humanos: todos os dias se ligam ao Sol para poderem dar frutos. Os humanos, pelo contrário, dormem até ao meio dia, ou então vão ver o pôr do Sol. Em vez de olharem para aquilo que sobe, que cresce, que se expande, preferem olhar para o que desce, que se perde, que se apaga. E como existe uma lei segundo a qual acabamos por assemelhar-nos àquilo para que olhamos, àquilo de que gostamos, as pessoas que assim procedem, interiormente começam a “pôr-se”. E no outono, quando as folhas caem, vão passear para as florestas e regressam melancólicas, fatigadas… porque remexeram em todas as suas tristezas e deceções: como abandonaram os seus amados ou as suas amadas, como foram abandonadas… O outono é muito propício a levar as pessoas a este género de recordações. E depois escrevem poemas sobre as suas deceções amorosas…

No plano físico, todos sabem comer, mas nos outros planos absorvem continuamente alimentos espessos, grosseiros, que produzem resíduos e os envenenam. Devemos alimentar-nos de luz, pois só a luz é absolutamente pura. Tudo o resto deixa resíduos, dos quais temos de desembaraçar-nos. Depois de usardes um fogão a lenha, precisais de tirar as escórias, as cinzas, para poderdes acender novamente o lume. Passa-se o mesmo no organismo: a comida e as bebidas produzem resíduos e, se não os eliminardes, morrereis. A maioria das doenças são devidas a materiais estranhos ao organismo que deviam ter sido evacuados. A saúde, pelo contrário, é o resultado de trocas tão rápidas e subtis, que o organismo fica liberto de todas as impurezas. Não sei como a medicina define a saúde, e não pretendo saber. Eu sou instruído pela Inteligência Cósmica, que me mostra as coisas tal como são. Para o mundo terreno, a manifestação mais elevada dessa Inteligência é o Sol; portanto, é com ele que devemos instruir-nos. 

O sentido da vida está oculto na nutrição. Por isso, cuidai de apenas introduzirdes em vós, a todos os níveis, partículas puras, luminosas, quintessências celestes, eternas. Encontrareis essas partículas no Sol. Concentrai-vos no Sol todas as manhãs, e procurai respirar, absorver, as quintessências que ele propaga. Vereis como a vossa saúde melhorará, o vosso intelecto ficará mais lúcido, o vosso coração rejubilará e a vossa vontade se fortalecerá. Direis que ides ao nascer do Sol há anos e ainda não sentistes nada… É porque não sabeis como olhá-lo. O que produz resultados é a maneira como fazeis as coisas, a intensidade do vosso amor, do vosso pensamento, e não o tempo que lhes dedicais. Se hoje vos sentis tão vivificados, tão preenchidos, é muito simplesmente porque bebestes alguns goles na fonte inesgotável que é o Sol. Isto é assim tão difícil de compreender? São-vos apresentadas provas e mais provas, mas não servem de nada. É por isso que, por vezes, fico triste: as pessoas não querem ver esta verdade que ilumina o mundo, que entra pelos olhos adentro.

Todos procuram fora da vida, fora do Sol, fora da Divindade, fora da pureza, fora do amor… Esta casmurrice é extraordinária! Como é que se há de ajudar os humanos? Eles não têm qualquer critério, não veem qualquer relação entre a maneira de se alimentarem e o estado em que estão. É como relativamente à gestação: não veem nenhuma relação entre os pensamentos e os sentimentos da mãe e a criança que está para vir, nenhuma! Então, quem forma essa criança? É a mãe, ou outra pessoa qualquer? Estais a ver como as pessoas são ignorantes?3

Mas vós, procurai compreender-me, e a vossa vida será completamente transformada.

Sèvres, 2 de Abril de 1970

ÍNDICE

Hrani yoga…………………………………………………………………. 9

A primeira garfada – A importância da mastigação e da respiração – Comer em silêncio, com amor e gratidão, para alimentar os nossos diferentes corpos – Os benefícios de um yoga da nutrição – Não comer até ficar saciado – Bênção dos alimentos – Saber comer é essencial. 

Capítulo I ………………………………………………………………….. 25

Significado e dimensão espiritual da nutrição.

Capítulo II ………………………………………………………………… 29

  1. Meditação antes da refeição – Silêncio durante a refeição; silêncio e vida intensa
  2. Influência do canto sobre os alimentos
  3. Cantar, comer e meditar em conjunto
  4. Fórmula a ser recitada antes e depois da refeição – O amor de Deus está espalhado por toda parte; atitude sagrada para o captar e saborear a plenitude.

Capítulo III ……………………………………………………………….. 41

A primeira porção de comida – A importância do começo.

Capítulo IV ……………………………………………………………….. 45

  1. A nutrição em todos os domínios – Alimentação carnívora e alimentação vegetariana – O massacre dos animais e a lei da justiça
  2. As impurezas nos planos físico e psíquico – A pureza: base do Ensinamento da Fraternidade Branca Universal
  3. 3. Deve-se evitar estarem 13 à mesa? – O número 13 – Acerca do sabão – Tudo é número – O bem e o mal, o trabalho com estas duas forças – A pureza: condição para a descida do Espírito Santo em nós – O verdadeiro poder do homem – O círculo mágico.

Capítulo V………………………………………………………………….. 65

O alimento, uma carta de amor enviada pelo Criador – Comer em silêncio para ouvir a voz dos alimentos.

Capítulo VI………………………………………………………………… 69

A importância do trabalho espiritual; fazer este trabalho pelo menos durante as refeições.

Capítulo VII ………………………………………………………………. 73

Aproveitar as refeições para aprender o autodomínio e recuperar calma.

Capítulo VIII……………………………………………………………… 77

  1. A refeição, uma cerimónia mágica e sagrada
  2. Estar atento a tudo o que se faz; saber olhar
  3. Usar as refeições como uma oportunidade para desenvolver a inteligência, o amor e a vontade.

Capítulo IX………………………………………………………………… 87

  1. Não comer até ficar saciado
  2. Conhecer a medida certa quando se come – O corpo astral – Pensar em partilhar a sua própria felicidade – A maneira de comer: qualidade e quantidade
  3. O jejum.

Capítulo X…………………………………………………………………. 101

Recuperar o sentimento de confiança na Natureza.

Capítulo XI……………………………………………………………….. 105

  1. Os alimentos põem-nos em contacto com o Universo
  2. A nutrição é uma magia branca – As plantas e os frutos são espíritos que vieram encarnar na matéria – Saber trabalhar com a matéria e o espírito.

Capítulo XII………………………………………………………………. 113

  1. Comer com gratidão; a atitude sagrada
  2. A gratidão e um pensamento elevado permitem captar os elementos subtis contidos nos alimentos – O mal ou o bem que fazeis a vós mesmos, fazei-lo também a toda a humanidade
  3. O silêncio durante as refeições, formação dos corpos subtis e do corpo da glória
  4. Os alimentos e os Anjos dos 4 elementos; construção dos corpos subtis e do corpo da glória – Purificação, os Anjos dos 4 elementos – Fórmula aos Anjos dos 4 elementos.

Capítulo XIII…………………………………………………………….. 125

  1. Pelo pensamento, extrair a energia solar condensada nos alimentos – O pensamento é a respiração da alma – A nutrição é uma luta entre o organismo e os alimentos
  2. Com os alimentos que absorve, o homem forma o seu corpo – «Não é o que entra na boca que torna a pessoa impura» – A vida interior tem mais poder do que os alimentos
  3. A verdadeira medicina: basear a sua existência na lei do amor – Dar o primeiro lugar à vida – Procurar os medicamentos no estado subtil – Saber preservar a vida e usá-la apenas ao serviço do mundo inteiro – Um Mestre dá os materiais, cabe ao discípulo fazer o trabalho – Confiar apenas com os seus esforços – Cada ser é um laboratório farmacêutico.

Capítulo XIV…………………………………………………………….. 137

  1. Alimentar-se através da pele
  2. A vida é toda feita de trocas – Nutrir-se com a luz, as partículas do sol
  3. Saber comer em todos os planos para ter a vida eterna – Nutrição física e nutrição espiritual.

Capítulo XV………………………………………………………………. 147

  1. Bênção da comida
  2. Dar muito amor aos alimentos para que eles se abram para nós
  3. “Domesticar” os alimentos para os tornar nossos amigos – Procurar a vida nos alimentos – A panaceia universal
  4. Exercício a fazer antes de comer um fruto – Vencer a inércia – Magia branca e magia negra – Quem souber comer, saberá amar.

Capítulo XVI…………………………………………………………….. 159

  1. Aprender a retirar energias dos alimentos – Nutrição: um processo idêntico à fissão do átomo – A nutrição considerada do ponto de vista iniciático
  2. O espírito deve participar do ato de comer – Cura: a omnipotência do espírito
  3. Sentido da nutrição: fazer evoluir a matéria – O homem é responsável pelo que deixa de si quando morre – Tarefa do discípulo: espiritualizar e sublimar toda a Criação – A Criação, as criaturas e o Criador, todos se alimentam – Imprimir na matéria o selo do espírito
  4. O corpo físico deve tornar-se capaz de expressar as qualidades do espírito – Consoante a nossa atitude, o alimento fecha-se ou abre-se para nós.

Capítulo XVII……………………………………………………………. 177

  1. No amor, como na nutrição, é necessário lavar os elementos e fazer uma triagem – Por intermédio das provações, um Mestre testa os seus discípulos – Para se conhecer o Senhor e se conhecer o seu Mestre, deve-se amá-los – Diferença entre um homem comum e um Iniciado – Procurar a centelha divina nos seres – Purificar e enobrecer o nosso amor – Significado das grandes provações – A nutrição nos diferentes reinos
  2. Compreender a nutrição para resolver todos os problemas, incluindo o problema sexual – A nutrição psíquica e a construção dos corpos etérico, astral e mental – As leis da nutrição nos diferentes planos – Procurar a vida nos seres, como a procuramos nos alimentos – Critério para saber se alguém está alimentado espiritualmente
  3. A nutrição, como o amor, deve conduzir à luz
  4. Convidar as entidades luminosas a participarem em todas as nossas refeições – As leis da conceção encontram-se na nutrição.

Capítulo XVIII………………………………………………………….. 193

  1. O mistério da Santa Ceia, a comunhão
  2. O alimento, símbolo do Cristo – Os 22 elementos do Verbo – «Aquele que come da minha carne e bebe do meu sangue…»
  3. Exercício a fazer quando se toma um banho – Exercício a fazer na preparação dos alimentos – Definição e trabalho de um verdadeiro sacerdote – Um dia, cada um será o seu próprio sacerdote – A verdadeira comunhão – Critério para saber se se comeu corretamente – Comendo conscientemente, obtém-se poderes sobre a matéria.