Ir para o conteúdo Ir para rodapé

O YOGA DA ALIMENTAÇÃO

Autor:Aïvanhov, Omraam Mikhaël

10.00

Informação adicional

Peso 170 g
ISBN

978-989-8147-94-3

Ano

2013

Edição

1

Idioma

Formato

11X18

Encadernação

Cartonada

N. Pág.

143

Colecção

Partilhe:

O Mestre Omraam Mikhaël Aivanhov (1900-1986) nasceu na Bulgária. Em 1937 partiu para França, onde transmitiu o essencial do seu ensinamento.
Aquilo que nos espanta, desde a primeira abordagem, na sua obra, é a multiplicidade de pontos de vista sob os quais é apresentada esta única questão: o homem e o seu aperfeiçoamento. Qualquer que seja o tema abordado, ele é invariavelmente tratado em função do homem, em tunção do uso que este pode fazer desse tema, para uma melhor compreensão de si mesmo e uma melhor conduta na sua vida.

«Milhões de anos antes de os físicos terem realizado a fissão do átomo, os humanos realizaram-na todos os dias no seu próprio organismo. E continuam a realizá-la, pois a nutrição é precisamente um processo de desintegração da matéria.
Comer é aprender a desagregar a matéria e a repartir a energia, assim extraída, por todos os órgãos: pulmões, coração, cérebro… Mastigar lentamente e demoradamente os alimentos representa uma primeira etapa desta desintegração. A segunda etapa é o trabalho do pensamento, que, qual raio extremamente penetrante, se introduz até ao coração da matéria, cujas energias mais subtis liberta a fim de dar suporte ao trabalho da alma e do espírito».

CAP. VIII – ACERCA DA COMUNHÃO

Uma das práticas essenciais da religião cristã é a comunhão. Não foi Jesus que a instituiu. Ela
já existia há séculos, pois o Génesis relata como Melkhitsédek, sacerdote do Altíssimo, veio ao
encontro de Abraão trazendo-lhe o pão e o vinho…
Mas comungar não deve ser apenas tomar, de tempos a tempos, uma hóstia abençoada por um
padre. Na realidade, cada um de nós deve ser um padre, um sacerdote, é uma vocação que todo
temos interiormente perante o Eterno; todos os dias devemos apresentar-nos para oficiar perante
as nossas células e dar-lhes o pão e o vinho. Se estiverdes conscientes deste papel, as vossas células receberão de vós a verdadeira comunhão, ou seja, um elemento sagrado que as ajudará no seu trabalho, e a alegria que elas viverão por ter trabalhado convenientemente, vós também a vivereis.
Para se compreender o mistério da Santa Ceia, é necessário tomar como ponto de partida a alimentação.
Evidentemente, a respiração e, sobretudo, os exercícios espirituais como a meditação, a contemplação e a identificação são, cada um deles, uma forma de comunhão, mas para se compreender corretamente a comunhão é necessário começar por compreender a alimentação. Nem todos têm condições, ou até dons, para meditar e contemplar, mas todos comem, e diariamente. Devemos começar, pois, por compreender a comunhão no plano físico.
Comungar é fazer uma troca: vós dais uma coisa e recebeis outra. Vós direis que, quando comeis, vos limitais a tomar os alimentos. Estais enganados; vós dais-lhes também alguma coisa… Se não o fizerdes, não será uma verdadeira comunhão. A verdadeira comunhão é uma troca divina. A hóstia traz-vos as suas bênçãos, mas, se a receberdes sem lhe dar o amor e o respeito necessários, esse ato será desonesto.
Quando se recebe, deve-se dar. Vós deveis dar à hóstia o vosso respeito, o vosso amor, a vossa
fé, e ela, em troca, dá-vos os elementos divinos que possui. Aqueles que tomam a hóstia sem assumir esta atitude sagrada nunca conseguem transformar-se. Não é o objeto em si que age sobre nós, mas a confiança e o amor que depositamos nele.
Para comungardes com o Senhor, também deveis dar-lhe o amor, o reconhecimento, a fidelidade.
Não porque o Senhor tenha necessidade daquilo que Lhe derdes, Ele é tão rico que pode muito bem passar sem isso; vós é que, ao tentar dar-Lhe algo do vosso coração, da vossa alma, conseguis despertar certos centros espirituais, e então todas as virtudes divinas correm abundantemente em vós.
Mas voltemos à alimentação. Mesmo quando preparais a vossa refeição, enquanto mexeis nos
alimentos deveis pensar, em impregná-los com o vosso amor… Falai-lhes! Dizei: «Ó vós, que transmitis a vida de Deus, amo-vos, aprecio-vos, sei da riqueza que vós possuís. Eu tenho de alimentar toda uma família, milhões e milhões de habitantes que em mim existem; então, sede gentis, dai-lhes essa vida.» Se vos habituardes a falar assim aos alimentos, eles transformar-se-ão, dentro de vós, em força e em luz, pois tereis sabido comunicar com a própria natureza. Deste modo, começareis a compreender que a verdadeira comunhão tem um sentido muito mais amplo do que aquele que a Igreja habitualmente lhe atribui.
Aliás, será inteligente pensar que, para se comungar verdadeiramente com o Senhor, é necessário
estar à espera de receber uma hóstia? E, além disso, nenhuma hóstia conseguiu, jamais, transformar os seres. Pode-se engolir vagões de hóstias e continuar a ser o mesmo preguiçoso, o mesmo ladrão, o mesmo crápula. Tudo depende da consciência…
Quando estais conscientes de que Deus colocou a sua vida nos alimentos, no momento em que ides comer sois como o sacerdote que abençoa o pão e o vinho, e todos os dias, a cada refeição,
entrais em comunicação com a vida divina.
Eu sou o primeiro a compreender e a respeitar as coisas sagradas, e é por isso que vos convido a
praticá-las todos os dias, pois sei que está a chegar uma época em que cada um se tornará, ele mesmo, um sacerdote perante o Eterno. É sacerdote aquele que compreende a criação de Deus, que a ama, que a respeita. Quer tenha sido ordenado sacerdote quer não, ele é sacerdote, foi o próprio Deus que o consagrou. Deus está acima de tudo, não está à disposição de ninguém em particular, não se pode agarrá-l’O à força para O encerrar numa hóstia e O distribuir como se deseja. Aliás, porquê violentar o Senhor se, desde o começo, Ele entrou voluntariamente nos alimentos? Ele não gosta dessa violência e, frequentemente, quando se quer que Ele lá esteja, Ele não está.
Ao exagerar tanto a importância da hóstia, pôs-se completamente de parte a questão da alimentação e esqueceu-se que os alimentos também podem ligar-nos a Deus. Eis, pois, algo de novo; eu estou a abrir-vos os olhos, dizendo-vos que os alimentos são tão sagrados como a hóstia, porque foi toda a natureza, foi o próprio Deus que os preparou com a sua própria quinta-essência. Então, o que é que a bênção de um sacerdote vai trazer de mais importante do que isto?
A Igreja deformou tanto os humanos que agora já não há meio de os fazer compreender as maravilhas daquilo que Deus criou. Aquilo que eles mesmos fabricaram, sim, mas o que Deus criou
não é interessante, eles são superiores a isso! Evidentemente, se puserdes esta questão aos padres, eles não vos dirão que se consideram superiores a Deus, mas na prática é exatamente como se se colocassem acima d’Ele. Em vez de dizerem:
«Respeitai a vida, meus filhos, pois tudo é sagrado, cada coisa da natureza é um talismã que Deus colocou à nossa disposição», não!, só as suas “lojas” é que contam: as hóstias, os rosários, as medalhas; o resto não conta.
Eu não estou a rebaixar o papel dos padres nem a importância da comunhão; quero unicamente
abrir-vos novos horizontes para que vejais que a comunhão é não só um ato importante, mas indispensável,e que nós temos necessidade de comungar todos os dias. Acreditais que podeis mudar algo em vós se comungardes duas ou três vezes por ano?
Não mudareis nada, as vossas células continuarão a ser as mesmas, e vós sereis eternamente os mesmos.
Para modificar o corpo físico, que é tão teimoso, é preciso trabalhar diariamente na sua transformação, através do pensamento, da fé, do amor, e um dia, finalmente, essa carcaça começará a vibrar!
A verdadeira religião não deve ser encoberta por todos esses ritos instituídos pela Igreja.
Frequentemente, há pessoas que põem os oculozinhos de uma religião, de uma filosofia, de uma
capela, e deixam tudo o resto na sombra. Para que serve pertencer a uma religião, se essa religião
esconde o esplendor daquilo que Deus criou e retira aos humanos a possibilidade de regressar
a Ele?
Notas
1. Cf. Qu’est-de qu’un fils de Dieu?, Col. Izvor n.º 240,
cap. VI: «Jésus, souverain sacrificateur selon l’ordre de
Melkhitsédek».
2. Cf. L’amour plus grand que la foi, Col. Izvor n.º 239, cap.
X: «Comment fonder notre confiance dans les êtres».
3. Cf. La foi qui transporte les montagnes, Col. Izvor n.º 238,
cap. VII: «Une religion n’est qu’une forme de la foi» e cap.
XII: «Dieu dans la création».

ÍNDICE

I. Alimentar-se, um acto que diz respeito à totalidade do ser
II. Hrani-yoga
III. O alimento, uma carta de amor enviada pelo Criador
IV. A escolha dos alimentos
V. O vegetarianismo
VI. A moral da alimentação
VII. O jejum. O jejum, um método de purificação. Jejuar, uma outra maneira de nos alimentarmos
VIII. Acerca da comunhão
IX. O sentido da bênção
X. O trabalho do espírito sobre a matéria
XI. A lei das trocas