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VIVA A VIDA!

Autor:Tages, Ernesto

10.00

Informação adicional

Peso 190 g
ISBN

978-989-8147-32-5

Ano

2011

Edição

1

Idioma

Formato

140×210

Encadernação

Cartonada

N. Pág.

88

Colecção

REF: 606 Categorias: , ID do produto: 23439
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A vida é uma Festa! Ou não…

Desde o instante em que nascemos estamos vivos, e permaneceremos assim até morrer. Parece-me ser algo bastante óbvio, simples, claro. Ao mesmo tempo, passa despercebido a muitos que deambulam pela vida como zombies sem dar conta da passagem dos seus dias neste maravilhoso mundo. Será para viver ou para não viver enquanto estamos vivos? A resposta a esta pergunta cabe só a ti responder.
Bom, não posso negar um certo grau de dificuldade em encontrar o ponto de equilíbrio entre desfrutar dos prazeres da carne e manter-se centrado, em harmonia com a nossa pessoa e as outras que nos rodeiam e isso é o lindo.
Aqui está o condimento da vida, o desafio que propõe estarmos vivos inteiramente, genuinamente: desfrutar, sem negar e também sem cair na escravidão. Este é o desafio que te lanço: vive a tua vida com tudo o que ela te der, e quando chegar o fim, um semblante de satisfação pintará a tua aura dizendo: Este ser viveu antes de morrer.

Com carinho,

Prof. Ernesto Tages

Capítulo «BOLHAS DE AMOR»

Lá pelo início dos anos 80´s vi o filme “O rapaz da bolha de plástico”, deram por cá?
– Quase que nem era nascida nessa altura mas lembro ter visto o filme na televisão. Sim, era muito triste, não era?
Pois era! Nessa época eu tinha a mesma idade que o rapaz do filme, início da puberdade. Fiquei impressionado e ao mesmo tempo fascinado. O filme é baseado na história verídica de um rapaz que nasceu com o sistema imunitário deficiente e tinha que viver a sua vida dentro duma bolha plástica, isolado de qualquer contacto com o mundo exterior e preso a uma máquina de ar. Bolas! Na idade em que uma pessoa só quer liberdade isso era muito mau! Por outro lado, a ideia de contar com uma protecção do mundo cruel que via ao meu redor causava-me uma certa atracção…
Ao gorducho bonacheirão que eu era, que apanhava tareias todos os dias quando jogava à bola no baldio com os meninos do bairro da lata próximo, dava-lhe jeito ter uma certa bolha protectora. Na altura, até lhe teria adicionado alguns canhões e metralhadoras! Mas bom, com o tempo, aprendi que isso das bolhas protectoras era só nos filmes e que na vida real tinha que ser eu próprio a aprender a lidar com o exterior se é que queria andar por ali solto… e eu queria! Aos trancos e barrancos, lá me desenrasquei.
Hoje em dia, passou muita água por baixo da ponte. O Ernesto adulto lembra com ternura e admiração aquele gorduchinho inepto que ganhou a coragem necessária para dispensar qualquer bolha que cerceasse a sua liberdade. Actualmente, com uma certa tristeza, vejo a grande quantidade de adultos que ainda carregam as suas bolhas imaginárias, não físicas mas sim intelectuais. Estas bolhas protectoras, que são geradas pelo medo, são mais pesadas e limitadoras que a do protagonista do filme com todas as suas estruturas e máquinas juntas. Existem as bolhas da família, do emprego, do clube, das afeições, etc. Todas essas bolhas proporcionam uma ilusão de protecção, quando na realidade só limitam, prendem, ancoram o barco da vida de quem a utiliza num só porto. Que melhor metáfora que essa para falar aos portugueses que com uma ousadia ímpar outrora arriscaram-se nos sete mares na procura de algo melhor do que já tinham! Ou simplesmente saíram para explorar, descobrir e experienciar tudo o que o mundo tinha para lhes mostrar! Senhoras e senhores portugueses, tiro o meu chapéu ante vocês!
– Oh Ernestinho, esses eram outros tempos e outros portugueses…
Se assim pensas, que seja para ti. No entanto, eu penso que essa bravura ainda está nas tuas veias a fervilhar e à espreita só duma oportunidade para se poder manifestar. És tu, como um ser adulto e pensante, quem a pode dar. Queres dar-lhe uma oportunidade?
– Bora lá! Vamos a isso!
Óptimo! Porque nisto das bolhas há um factor limitativo da felicidade muito grande.
Ninguém, no seu são juízo, gosta da dor e tu não és uma excepção, certo?
– Certíssimo!
Que bom ouvir isso! Olha isto: quando sentes dor (e nalgum momento de certeza que sentiste) imediatamente e sem que tu fizesses nada por isso, surgiu um medo. Este surgimento automático e involuntário do medo faz parte dum mecanismo com o qual a natureza te dotou para te proteger das mágoas e que te induz a evitar a potencial repetição da dor num futuro. Haja inteligência para detectar isto e para saber geri-lo convenientemente! Acontece que as pessoas sem educação emocional baralham os assuntos e, normalmente, em vez de sobrepor-se a esse medo e crescer aumentando o seu mundo, passam a fugir da potencial fonte de dor e como consequência, o seu mundo encolhe.
– Como é isso?
Imagina que estás a caminhar descalço pelas belas praias do Algarve e que, sem te aperceberes, calcas num búzio partido e abres uma ferida no pé. Vai doer, não vais gostar nada disso e vai nascer em ti um medo de, no futuro, calcares búzios partidos novamente. Perante este circuito emocional, inevitável, podes optar por duas resoluções: Uma primeira forma é: Aceitas a dor, aceitas o medo e aprendes que o búzio partido pode te magoar se o calcas descalço. Ante isto não te acanhas mas sim o enfrentas e no futuro prestas mais atenção ao caminhar descalço na praia. Agindo assim, nas próximas caminhadas andarás com mais atenção, verás mais pormenores que antes te escaparam. Estes pormenores antes despercebidos agora passarão a fazer parte da tua percepção consciente e assim o teu mundo expandirá e com ele surge a possibilidade de desfrutar aspectos do Universo que estavam “ocultos” ao tempo que evitas uma potencial dor. Lindo como está montado o sistema, não achas?
– Eu não sei como tu fazes, mas descrito assim até fico a pensar que a dor é uma coisa linda…
E é! Se sabes lidar com ela, mas melhor não a queiras!
A segunda forma de lidar com a dor é criar uma bolha protectora isolando-se dela: Como corro perigo de me magoar, não quero mais isso de andar na praia descalço, ou nem sequer andar na praia ou melhor ainda, nem ir à praia nem ao Algarve! Quem assim age elimina a possibilidade da dor recortando o seu mundo, limitando as suas experiências, empobrecendo as suas vivencias. Estas pessoas sem educação emocional, passado algum tempo acabam barrigudas, sedentárias e amarguradas, plantadas frente à televisão a ver como as pessoas “com sorte” andam descalças na praia. Uma peninha…
– Ai, ai, ai, eu vejo tanto o Travel Channel…! (risos!)
As bolhas de protecção (medo) restringem o âmbito de acção da pessoa dentro duns certos limites controláveis por ela. Marcam fronteiras bem definidas no campo em questão de forma tal que seja suficientemente ascético emocionalmente de qualquer dor e se restringem a circular dentro dele. Quanto mais medo, mais pequeno o diâmetro da bolha. As bolhas familiares são muito comuns: aquele primo estúpido? Nunca mais falo com ele! O meu cunhado? não presta! A minha sogra? Melhor morta que viva! Na medida que algum familiar o chateia, lança a sentença irrefutável: fora da minha bolha! Corta um, corta outro, depois outro… Nas amizades? O mesmo. Com os colegas de trabalho? O mesmo. As empresas do sector, os fornecedores? O mesmo. Clientes? Bem que gostava fazer o mesmo! Se calhar até faz, quem sabe? Corta, corta e corta. No final, naquele momento em que fica sem ninguém mais para colocar fora da sua bolha, adivinha? Passa dolorosamente a engolir a sua amarga solidão…
O sistema de bolhas de protecção não funciona, é um facto evidente. Quem as usa sente a sensação de segurança proveniente do controlo mas na realidade, está a asfixiar a sua vida.
– Auch! Estou a ver que a minha vida parece um copo de Coca-Cola de tantas bolhas que tem! Há alguma saída Ernestinho?
Quem tem cabeça, encontra a saída e a melhor forma é criar uma bolha de amor. Tal como dissemos anteriormente, és tu quem cria as bolhas através da tua livre vontade, ninguém as pode fazer por ti, a de amor inclusive. Esta bolha forma-se gradualmente através do amor-próprio e cresce na mesma medida em que te amas mais. Quando alcançares o ponto em que te amas sem restrições o egoísmo desaparece e esse é o teu objectivo! Sim, só te sentes ameaçada porque ainda não te amas o suficiente, vês os outros como inimigos. Tens qualidades que consideras obscuras que ainda te negas a reconhecer, a aceitar, e até que o faças não permitirás que a luz que tens brilhe na sua plenitude. Se lembras o que explicamos no artigo «Um mundo sem chatos», só tens a sensação que alguém te magoa quando existe falta de amor em TI para TI e projectas isso nos outros. Logo, proteges-te dos outros. Afastas-te dos outros quando na realidade seria recomendado que os recebas, com uma certa moderação, isso sim, para te ajudarem a ultrapassar essa resistência que tens a Te amar tal e qual és. Deixa atrás o medo de te expor e começa a amar-te mais. Não há melhor protecção da dor que o amor a si próprio que, inevitavelmente, acabará por derramar-se nos que te rodeiam. Ama-te sem reservas! Ama-te com todas as tuas forças! Ama-te mesmo sabendo que tens algumas coisinhas que não gostas tanto assim, só com amor poderás mudá-las. Só quando te amas de verdade é que consegues arranjar forças para continuar a trabalhar em Ti para expandir essa bolha de amor que fará da tua vida um leito de rosas. Se não te amas, qualquer esforço que faças para melhorares é entendido pela tua cabecinha como desperdício de energia e rapidamente o ímpeto de mudança esgota. Ama-te! Ama-te tal e qual já ÉS e ao mesmo tempo, continua a trabalhar para conseguires amar-te ainda mais quando mudares o que não gostas em ti! A bolha de amor é a melhor protecção para a dor, não tenhas dúvidas.

strong>ÍNDICE

A vida é uma Festa! Ou não
Um mundo sem «chatos»
Clamar por justiça
A origem de todo o mal
A natureza (imperfeita?) do Ser.
Bolhas de amor
O céu NÃO pode esperar
A roda do rato … e o gato
Há amores que matam
Pior do que mau, medíocre
Sonhar e ousar avançar
Natureza generosa
Relacionamentos de luxo